segunda-feira, 11 de julho de 2016

Ciência vive corrida pela vacina de zika: conheça principais iniciativas

O potencial nocivo da zika – especialmente sua associação ao nascimento de bebês com microcefalia e outros problemas neurológicos – tornou-se conhecido há menos de um ano. Mas já existem dezenas de cientistas no Brasil e no mundo focados em desenvolver uma vacina capaz de combater essa ameaça. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há 35 projetos de pesquisa em andamento, evolvendo 21 instituições, em busca de uma vacina contra o vírus.

A urgência do problema - que está associado ao nascimento de mais de 1,6 mil crianças com microcefalia no Brasil desde outubro de 2015 - levou várias instituições de pesquisa e empresas a firmarem parcerias internacionais para potencializar as chances de se chegar mais rápido a um produto final. Apesar de as instituições estarem colaborando entre si, existe uma competição intensa, o que é visto como algo positivo pelos cientistas.
´Acho saudável a competição, embora ela leve a um maior custo financeiro´, diz o pesquisador Pedro Fernando da Costa Vasconcelos, diretor do Instituto Evandro Chagas, uma das instituições envolvidas na busca pela vacina. ´A competição de modo geral acelera os processos, pois todos querem fazer com que a vacina se torne viável no menor tempo possível.´
Chamada GLS-5700, esta é uma vacina de DNA, o que significa que ela usa um pequeno fragmento do DNA do vírus da zika produzido sinteticamente em laboratório para despertar a resposta imunológica contra o vírus no organismo.
As vacinas de DNA são vistas como uma tendência para o futuro, mas, até o momento, ainda não existe nenhum produto desse tipo aprovado para uso comercial.
Em testes cujos resultados foram divulgados em maio, a vacina provou que tem capacidade de produzir uma resposta imunológica satisfatória em macacos, ou seja, consegue proteger os animais de uma infecção.
O teste clínico de fase 1, que deve começar em breve, envolverá a aplicação da vacina de DNA em 40 voluntários saudáveis para testar principalmente se o produto é seguro para humanos. Ainda não é possível prever quanto tempo será necessário para a avaliação da eficácia da vacina, processo que pode levar de meses até anos.
O Instituto de Pesquisa Walter Reed do Exército dos Estados Unidos (WRAIR) está fazendo testes pré-clínicos com uma vacina contra o vírus da zika que deve começar a ser testada em humanos até o fim do ano. No dia 6 deste mês, o laboratório francês Sanofi Pasteur anunciou uma parceria com o WRAIR para a produção da vacina. Eles confirmaram que os testes devem começar ainda em 2016.

De acordo com os termos do novo acordo, o WRAIR irá transferir a tecnologia de vacina para a Sanofi Pasteur, abrindo a porta para uma colaboração mais ampla com o governo dos EUA. O laboratório francês é o mesmo que aprovou a vacina da dengue no Brasil, que aguarda o estabelecimento de um preço pelo governo para a venda na rede privada de saúde.
A vacina é uma versão ´neutralizada e refinada do vírus´, em que se realizaram vários testes com o vírus mais fraco, gerando anticorpos contra o zika. De acordo com os pesquisadores, os testes em ratos forneceram ´proteção completa´. O pesquisador Nicholas Jackson, líder de pesquisa e desenvolvimento do programa de vacinas da Sanofi Pasteur, disse que a empresa francesa também está envolvida em um projeto além da parceria com o WRAIR. Essa segunda opção, segundo ele, deve se basear na própria tecnologia do laboratório, mas é ´uma solução de longo prazo´. A empresa não quis divulgar qual deve ser o investimento para a vacina.
O Instituto Butantan, ligado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, está envolvido em diferentes projetos diferentes de vacinas contra zika.
Um dos principais é uma vacina de vírus inativado, que usa o vírus morto para despertar a resposta imunológica. Para tornar esse projeto possível, o instituto fechou, em junho, uma parceria com os Estados Unidos e com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O centro de pesquisa brasileiro deve receber US$ 3 milhões da Autoridade de Desenvolvimento e Pesquisa Biomédica Avançada (Barda, na sigla em inglês), órgão ligado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo americano (HHS), para o desenvolvimento de uma vacina de zika com vírus inativado. O HHS é o órgão equivalente ao Ministério da Saúde dos EUA.
Segundo o diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil, o desenvolvimento da vacina de vírus inativado contra zika já está em curso há alguns meses. Pesquisadores do centro já trabalharam no processo de cultura, purificação e inativação do vírus em laboratório. Na fase atual, roedores devem começar a receber os vírus inativados.
O Butantan também tem participação em outras três iniciativas em colaboração com outros centros de pesquisa: uma vacina a base de DNA, outra vacina com vírus inativado semelhante à vacina da dengue (esta em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA), além de uma vacina híbrida que tem como base a vacina de sarampo (esta em parceria com o Instituto Pasteur).
Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH)
O órgão do governo americano está desenvolvendo ao menos quatro candidatas a vacinas de zika. Segundo o imunologista Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), parte dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), a que está atualmente em fase mais avançada é uma vacina de DNA. 

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