segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Quando o dia 1º chegou...

Por *Cláudia Santa Rosa
Quando o dia 1º chegou, deixei para trás uma porção de coisas...
Coisas do tempo do quinze.

Tristezas do quinze
Dores do quinze
Lágrimas do quinze
Sofrimentos do quinze
Inverdades do quinze
Egoísmos do quinze
Medos do quinze
Abandonos do quinze
Fracassos do quinze.
Sim, tudo que me fragiliza.
Duas histórias do dia 31 quero lembrar.
A primeira ainda era dia...
Eu e Seu Pedro, flanelinha aos 68 anos.
Estaciono meu carro, ele lá, cuidadoso, cheio de esperanças de receber uma gorjeta.
Retorno, ele me acompanha.
No rosto, marcas do tempo, do cansaço...
No todo, um rastro de quem pede cuidados, casa, banho.
“Uma ajudinha, doutora!”
Nem precisava pedir.
Para Seu Pedro mais do que o de costume, provavelmente mais do que ganhara durante o dia inteiro de trabalho, exposto ao sol, refém da solidariedade das pessoas.
Nossa, precisou de tão pouco para ver aquele homem feliz, de braços para o alto, aos gritos, no meio da rua, fez graça, fez festa. Agradeceu, desejando maravilhas.
Mais tarde, a segunda história, via WhatsApp: virou mensagem de fim de ano com título e tudo, pinçada das vivências de amor do querido Chrystian de Saboya, em sua “Casa das Ondas”, nas areias de Tibau, arredores de Mossoró do meu Rio Grande. Ele disse assim:
“Outro Ano Novo
Acabou de chegar, aqui na Praia, uma família...
Pai, mãe, dois filhos, uma cachorra de nome Tuia
Estão numa carroça, dois velhos jumentos.
"Vidas Secas", de Graciliano Ramos, me vem à memória já tão lotada de histórias assim...
Claro que fui lá
Saber de tudo
Moram na rua
Catam lixos e sonhos entre os restos do mundo...
Arrumei o jantar
Os chamei para minha casa
Não quiseram entrar de jeito nenhum
Mas insisto em...
Querem não...
Tenho sempre brinquedos
Dei dois para cada criança, que me fitaram com os olhos incrédulos
Jantar aqui na varanda, pelo menos...
O que vamos comer, eles também irão
Arrumei tudo, já
Cestas básicas que meus amigos me doam, banho para toda a família...
E um Ano Novo diferente para minha casa
Uns assustados, eu morto de feliz e, sempre, sem medo de nada!!!!
Deus sabe o que faz
Para onde empurra seus filhos e seus abandonos.
Tinham que chegar aqui, meus novos amigos.
Ah, a vida...
Tantos, tantas injustiças sociais, tanto roubo, tanto desmando e mais uma família aos descasos do mundo.
Pelo menos hoje serão felizes para sempre.
Feliz Ano Novo, gente querida!!!”
Sim,
Quando o dia 1º chegou...
Iniciei esforços para trazer apenas...
Boas lembranças
Alegrias do quinze
Risadas do quinze
Prazeres do quinze
Conquistas do quinze
Descobertas do quinze
Verdades do quinze
Dúvidas do quinze
Feitos e desfeitos do quinze.
Vontade de ser feliz.
*Professora, especialista em Psicopedagogia, Mestre e Doutora em Educação. Diretora Executiva do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE) e Coordenadora do “Esquina do Conhecimento, projeto pedagógico da Escola Estadual Manoel Dantas. É articulista de temas relativos à Educação e no ano de 2014 passou a publicar, também, minicontos de amor, crônicas e poemas que são tentativas de incursão pelo universo do texto literário. (educadora@claudiasantarosa.com)

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